O que mais me impressiona no Pink Floyd é a atualidade das questões apresentadas em algumas músicas e clips. Claro que, neste momento, falo apenas dessa música, mas poderia falar de muitas outras com tranquilidade.
A aversão à poesia (não-ciência), a necessidade professoral de manter o uniforme impecável (engravatadamente, claro), o rigor em sala de aula, dentre outras características possíveis, apontam para um modo de educar que ainda predomina a mente de muitos educadores: a imagem é tudo, o que não for científico não tem validade, a arte é apenas arte (e, portanto, não pode ter valor científico) e se não formos extremamente rigorosos, provavelmente perderemos o controle da turma e a "proposta pedagógica" terá ido por água abaixo.
Arte não é ciência; alunos são só alunos; o professor é o único capaz de pensar e, portanto, deve professar a verdade; e a manutenção desse ciclo é uma obrigação. Do contrário, e perderemos o controle.
Sempre ele: o controle. A pretensão de dizer a verdade professa, talvez, o nosso maior temor: o de que podemos estar não mais a dizer a verdade, mas apenas a repetir aquilo que ouvimos anos atrás sem sequer questionar o monte de baboseira que ouvimos. Seguidamente escutamos em universidades afora: "está cada vez mais difícil: ou somos mais rigorosos, ou perderemos o controle da turma."
O mais engraçado, no entanto, é que todas as vezes - e vale frisar aqui a palavra todas - em que uma crise se apresenta em sala de aula, a única solução possível é o aumento do rigor - desde 1910! Ou antes, claro, mas usei essa data simbólica apenas para mostrar que há pelo menos UM SÉCULO que o papo é sempre o mesmo: ou a educação será viável por meio do rigor, ou dificilmente será possível.
Traduzindo: ou impomos medo nos alunos, ou nada alcançaremos.
Recuso-me a trabalhar com um instrumento como o medo. Pago o preço de aprovar alunos e alunas que sequer entendem o que falo, mas não o utilizarei como instrumento pedagógico.
Não sou o melhor educador do mundo, mas sei que dessa forma não formarei pessoas, mas idiotas. Não contem comigo para isso.